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O que realmente não pode ser alterado em uma reforma de apartamento?

Foto do escritor: Natália Assis
Natália Assis
13 de ago.
6 min de leitura

Se você está planejando uma reforma de apartamento, provavelmente já pensou em derrubar uma parede, mudar a cozinha de lugar ou trocar pontos de elétrica e hidráulica. Mas será que tudo isso é permitido?


A resposta é: depende. Antes de qualquer decisão, existe uma análise técnica que quase ninguém comenta, mas que todo arquiteto faz logo ao olhar a planta do imóvel. É essa análise que define o que pode, o que não pode e o que realmente vale a pena alterar.


A primeira pergunta não é qual parede você quer derrubar


Quando um cliente chega ao meu escritório dizendo que quer integrar ambientes ou abrir a cozinha, eu ainda nem penso no layout.


A primeira pergunta que faço é: como esse apartamento foi construído? A resposta muda completamente o rumo da reforma.


Existem edifícios feitos com alvenaria convencional, também conhecida como estrutura de pilar, viga e laje. Já outros utilizam alvenaria estrutural, em que as próprias paredes ajudam a sustentar o prédio.


Essa informação normalmente pode ser obtida com a construtora ou com o síndico do condomínio. Em apartamentos novos, muitas vezes ela aparece nas letras miúdas da própria planta entregue pela construtora. O problema é que a maioria das pessoas não sabe interpretar essa informação.


A diferença entre os dois sistemas muda toda a reforma


Na alvenaria convencional, quem sustenta o edifício são os pilares, as vigas e as lajes. As paredes internas, na maioria das vezes, servem apenas para dividir os ambientes.

Isso significa que algumas delas podem ser removidas, desde que exista uma análise técnica antes da obra.


Já na alvenaria estrutural acontece exatamente o contrário.

As paredes fazem parte da estrutura do edifício. Ou seja, quebrar uma parede ou até abrir um pequeno rasgo para uma tomada interfere diretamente na estrutura.


Nem toda parede pode ser demolida


Mesmo quando o apartamento possui estrutura convencional, isso não significa que qualquer parede possa ser retirada.


Antes de aprovar uma demolição, o arquiteto verifica pilares, vigas, shafts, tubulações, pontos de gás, instalações elétricas e diversas outras informações que o cliente normalmente nem imagina que existam.


Uma parede pode esconder muito mais do que apenas tijolos.


Um caso que vivi mostra bem esse risco


Durante uma obra, cheguei ao apartamento e encontrei um furo enorme feito em uma viga para passar a infraestrutura do ar-condicionado.


O buraco tinha aproximadamente o tamanho de uma bola de futebol.

Aquilo havia sido executado sem a minha autorização e contrariando completamente o projeto.


Naquele momento retirei minha responsabilidade técnica da obra e cancelei a RRT. Se eu permanecesse responsável, poderia responder legalmente por uma intervenção que colocava a estrutura do edifício em risco.


Esse tipo de situação mostra por que vigas nunca devem ser perfuradas sem uma avaliação técnica.


O arquiteto analisa muito mais do que paredes


Quando um arquiteto olha uma planta, ele não enxerga apenas a divisão dos ambientes.


Ele identifica circulação, ergonomia, localização dos pilares, posição das esquadrias, shafts hidráulicos, instalações elétricas, prumadas de água e esgoto, pontos de gás e todas as limitações técnicas daquele imóvel.


É justamente essa leitura que permite criar um projeto bonito sem comprometer a segurança da obra.


Posso mudar tomadas e pontos elétricos?


Na maioria dos apartamentos de alvenaria convencional, sim.

Mas isso não significa simplesmente sair quebrando paredes.


Dependendo da região onde a instalação passa, pode existir uma viga, um pilar ou outro elemento estrutural que não pode ser alterado.


Na alvenaria estrutural, o cuidado é ainda maior. Até um simples rasgo para instalar uma tomada exige um reforço estrutural equivalente. O dimensionamento desse reforço deve ser realizado por um engenheiro, garantindo que a estrutura do edifício continue segura após a intervenção.


Além disso, muitos clientes não sabem que existem alternativas para evitar esse tipo de intervenção. Em alguns casos, é possível reposicionar um móvel, alterar o layout ou utilizar outra solução de projeto, evitando cortes desnecessários na estrutura.


Às vezes a mudança vale a pena


Em um dos meus projetos, o quadro de energia entregue pela construtora ficou muito próximo ao cooktop.


Depois de estudar o layout da cozinha, concluí que seria muito mais seguro deslocar esse quadro para uma parede da lavanderia.


A alteração foi planejada desde o projeto, executada por um eletricista qualificado e a cliente foi informada de que aquela mudança faria a construtora deixar de responder pela instalação elétrica daquele trecho.


Mesmo assim, optamos pela alteração porque ela fazia sentido técnico e melhorava tanto a segurança quanto o funcionamento da cozinha.

O mesmo acontece com o ponto de gás


Outro projeto que acompanhei previa uma cozinha com ilha. O problema era que a construtora havia entregue o ponto de gás na parede, enquanto o fogão ficaria no centro do ambiente.


Essa mudança era possível, mas não poderia ser executada por qualquer profissional.

Foi necessário contratar uma empresa credenciada para fazer o deslocamento do ponto de gás, realizar os testes de estanqueidade e emitir um laudo técnico, assumindo a responsabilidade pela instalação.


Infelizmente, ainda vejo pessoas tentando economizar nesse tipo de serviço e contratando mão de obra sem qualificação. Quando falamos de gás, o risco não é apenas financeiro. Um vazamento pode colocar toda a sua família em perigo.


Nem tudo que é permitido vale a pena


Uma das funções do arquiteto não é apenas dizer se algo pode ou não pode ser feito.

Também faz parte do nosso trabalho avaliar se determinada alteração realmente vale o investimento.


Já vi clientes querendo mudar completamente a posição da cozinha apenas porque imaginaram um layout diferente. Tecnicamente era possível, mas o custo com hidráulica, gás, elétrica e acabamentos aumentava tanto que deixava de fazer sentido.


Em muitos casos, pequenas mudanças de layout entregam praticamente o mesmo resultado, gastando muito menos e com uma obra muito mais simples.


Um detalhe pequeno pode esconder um grande problema


Outro erro que já encontrei foi em apartamentos de alvenaria estrutural onde moradores abriram nichos embutidos dentro do box do banheiro.


À primeira vista parece apenas um detalhe estético.

O problema é que, nesse tipo de construção, a parede faz parte da estrutura do edifício. Abrir esse nicho exige um reforço estrutural calculado por um engenheiro.


Como muitas pessoas desconhecem essa informação, acabam copiando referências da internet sem saber se aquele detalhe pode ser executado no próprio apartamento.


Casas e apartamentos funcionam de maneira diferente


Muitas pessoas perguntam se essas regras também valem para casas.

A resposta é: depende do sistema construtivo.


Em uma casa de alvenaria convencional existe muito mais liberdade para alterações, justamente porque você não possui vizinhos acima ou abaixo e normalmente não existem prumadas compartilhadas.


Mesmo assim, qualquer intervenção estrutural deve ser analisada por um profissional.

Além disso, mudar instalações de gás, elétrica ou hidráulica sem conhecimento técnico continua sendo um risco, independentemente de ser casa ou apartamento.


O arquiteto não serve apenas para dizer "não"


Existe uma ideia equivocada de que o arquiteto está na obra apenas para impedir mudanças.


Na prática acontece exatamente o contrário.

Grande parte do meu trabalho consiste em encontrar soluções para que o cliente consiga atingir o resultado desejado da maneira mais segura, mais econômica e mais inteligente possível.


Foi exatamente isso que aconteceu no projeto em que deslocamos o quadro elétrico e também no apartamento onde levamos o ponto de gás para a ilha.


Se existe uma solução melhor, ela normalmente aparece durante o projeto, e não depois que a obra começou.


O que um arquiteto enxerga quando olha uma planta?


Quando um cliente olha uma planta, normalmente ele enxerga quartos, sala, cozinha e banheiro.


Quando eu olho essa mesma planta, enxergo circulação, ergonomia, pilares, vigas, shafts, prumadas hidráulicas, instalações elétricas, limitações estruturais, possibilidades de layout e até problemas que provavelmente surgiriam durante a obra.


Essa experiência permite antecipar decisões e evitar retrabalho.

É justamente por isso que muitas vezes uma solução aparentemente simples acaba economizando muito dinheiro durante a execução.


Conclusão


Se você está planejando uma reforma de apartamento, não comece escolhendo revestimentos ou pensando em qual parede derrubar.


O primeiro passo é entender como aquele imóvel foi construído e quais alterações realmente são viáveis para o seu caso.


Muitas mudanças são possíveis. Outras exigem reforços estruturais, empresas especializadas ou simplesmente deixam de valer a pena quando analisamos custo, segurança e funcionalidade.


É exatamente nesse momento que o arquiteto faz diferença: não apenas dizendo o que pode ou não pode ser feito, mas encontrando a melhor solução para transformar o seu apartamento com segurança, planejamento e inteligência.


Se você pretende fazer uma reforma de apartamento e quer um projeto pensado de forma técnica, funcional e personalizada, entre em contato com a Natália Assis Arquitetura e Interiores. Um bom projeto evita erros antes mesmo de a obra começar e torna todo o processo muito mais tranquilo.

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